A Polónia já não quer apenas ser protegida. Quer tornar-se forte demais para ser atacada

A Polónia já não quer apenas ser protegida. Quer tornar-se forte demais para ser atacada

A Polónia já não quer apenas ser protegida. Quer tornar-se forte demais para ser atacada

28.07.2027 Martin Keller

Radosław Sikorski, ministro dos Negócios Estrangeiros da Polónia, afirma que, se Varsóvia concluir os seus planos militares até 2030, atacar a Polónia tornar-se-á uma aposta irracional, mesmo para o Kremlin. Isto não é apenas retórica. Para 2026, a Polónia prepara-se para gastar cerca de 4,8% do PIB em defesa, a maior percentagem na NATO.

Por detrás desta força militar está uma das transformações económicas mais notáveis da Europa. Em apenas algumas décadas, a Polónia passou da economia rígida do comunismo para a posição de uma grande potência económica regional. Em termos reais, o FMI coloca-a entre as cinco maiores economias da União Europeia e entre as 20 maiores do mundo. Em PIB nominal, a sua posição é ligeiramente inferior, mas a tendência geral é impossível de negar.

A evolução da taxa de câmbio do zloty polaco oferece outra perspetiva sobre o desempenho económico da Polónia e a forma como os mercados internacionais avaliam as suas perspetivas. 

A mudança também se vê na migração. Depois de anos em que milhões de polacos partiram para a Alemanha, o Reino Unido ou os Países Baixos, cada vez mais estão agora a optar por regressar. A diferença salarial face à Europa Ocidental diminuiu, a economia continua a crescer e a Polónia já não é vista pelos seus próprios cidadãos como um país que têm de deixar para construir uma vida melhor.

Sikorski aponta também para um dos grandes erros estratégicos da Europa Ocidental. A Alemanha acreditou durante anos que o comércio e a dependência da Rússia das exportações de energia tornariam Moscovo mais moderado. A Polónia avisou que gasodutos que contornassem a Europa Central trariam não só gás barato, mas também vulnerabilidade política. Após a invasão russa da Ucrânia, os avisos de Varsóvia já não parecem exagerados. A Alemanha continuou com o Nord Stream mesmo após a anexação da Crimeia, apesar da oposição polaca.

Sobre o Irão, Sikorski usa uma formulação dura, mas clara: o problema começa quando um Estado deixa de se comportar como um Estado e passa a agir como uma revolução permanente, tentando exportar a sua ideologia. O Irão tem o direito de defender os seus interesses, mas não de impor o seu modelo político a outras sociedades.

No caso do Reino Unido, a ironia do Brexit torna-se cada vez mais visível. A maioria dos eleitores britânicos apoia agora, em princípio, o regresso à União Europeia, mas a classe política não está preparada para dar esse passo. Qualquer regresso exigiria novas negociações, sem garantia de que Londres recuperaria os privilégios especiais que tinha antes de sair.

Pode concordar ou discordar de Sikorski, mas a sua visão é coerente: a segurança constrói-se com força, a prosperidade com reformas e a independência com a redução de vulnerabilidades. A Polónia já não pede para ser tratada como parte da periferia da Europa. Já está a comportar-se como uma das grandes potências do continente.

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